Abertura:
The Noose – The Offspring
1.4
– Troca de Lados
O trio de Legionários estava
finalmente dentro da Fábrica de Robôs. Não tinham a menor
dificuldade em enfrentar as máquinas do local, fosse Aliza, Alicel
ou Aliot.
Palace havia ajudado a guiar
os outros dois ao local, mas já não estava mais disposto a cumprir
a missão que lhe foi dada. Havia tido bastante o que pensar no
caminho para a Fábrica, atravessando o lado de fora dos dormitórios
do colégio e chamando atenção local enquanto Valna violentamente
matava um Grand Peco ao empalar a ave e então um Bode, sem tirar o
corpo da ave da enorme Zanbatô.
O Atros mais novo já estava
questionando sua missão desde o começo, mas agora que estava perto
de executá-la, parecia bastante decidido. Parou a meio caminho, já
às portas do segundo andar da Fábrica, forçando os outros dois a
pararem.
– O
que foi? – Indagou Valna. – Esqueceu de ir ao banheiro?
Palace apenas sacou sua
Zanbatô e a apontou à altura da cabeça de Valna, olhando fixamente
nos olhos do irmão. Valna não sabia se achava a situação irônica
ou trágica.
– Você
não vai fazer isso, Palace. – Desafiou o irmão mais velho.
– Errado,
eu vou
fazer isso. – Respondeu o mais novo. – Nunca se perguntou o que
segura a gente na Legião, não é? Mesmo depois de termos vingado a
morte de nossos pais.
– Não
era como se eles tivessem sido devorados por ursos e nós acabássemos
sendo criados por lobos. – Respondeu Valna, sarcástico.
Vera apenas assistia os dois
se desentendendo, sem nem cogitar se meter na discussão. Aquilo
inclusive parecia divertido para ela.
– E
você ainda trata como se isso já fosse parte de você. – Palace
encarava furioso seu irmão.
– Pois
é, porque eu aceitei que meu propósito é ajudar a Miss Edith Stein
a criar a “nova ordem mundial” dela ou seja lá o que caralhos
ela quer fazer. Não é seu caso, Palace. Você sempre
protestou contra a ideia. Desde que Dimitri apareceu em nossas vidas!
Esse era o sinal de que a
discussão entre os Irmãos Atros estava aquecendo. Valna agora
estava mudando para uma expressão séria, pronto para enfrentar seu
irmão.
– Pois
é, especialmente porque a ideia da vez é pegar uma adolescente e
transformar ela no mais novo brinquedo do grupo, assim como aconteceu
com a nossa acompanhante aqui! – Vociferou o ruivo com dreadlocks.
Vera não ficou confortável com o comentário, mas sabia que iria
sobrar pra ela, fisicamente, se ela entrasse na briga dos dois. Ela
havia oficialmente se resignado a assistir o evento todo.
– Grande
hora pro seu senso de justiça aparecer, hein? – Valna estava
levantando a voz agora. – Eu já tou de saco cheio de te dizer que
a única justiça que existe no nosso mundo é a do mais forte! Você
é o único que ainda insiste nessa porra!
Valna havia finalmente sacado
sua Zanbatô e estava pronto para partir pra cima do irmão. A
recíproca era verdadeira para Palace. – Você não me deixa
escolha, Valna.
Os
dois finalmente avançaram um contra o outro, com Vera servindo como
espectadora. As duas espadas cruzavam fortemente, sem nunca acertar a
pele de alguém. Cortes eram deixados na parede e chão do corredor
pelas espadas enormes dos dois. Valna e Palace ambos demonstravam
habilidade de manuseio e força inacreditáveis com suas Zanbatôs. E
a discussão prosseguia conforme os dois se enfrentavam.
– Você
sabe o que um ato de traição significa, Palace! Você será caçado,
você será pego,
você será executado!
E se tiver sorte, talvez eles não selem você ou façam alguma
lavagem cerebral! – Proferiu Valna entre espadadas.
– MAL
POSSO ESPERAR PRA ABATER VOCÊ E O TIME DE CAÇA DELES! – Reagiu um
furioso Palace, preparando um Impacto de Tyr, defendido por Valna sem
muito esforço.
O Atros mais novo, se sentindo
pressionado, resolveu recorrer à sua forma máxima, a do Monstro
Veneravelmente Poderoso conhecido como Atroce. Era a mesma forma do
irmão e as chances de uma briga igualada ou mesmo uma desvantagem
contra o irmão eram grandes, mas o Atros mais novo já não quis
mais arriscar. Valna, por sua vez, não quis saber de assistir e
atacou o irmão no início do processo de transformação com um soco
na cabeça, interrompendo prontamente a concentração e o processo
do irmão.
O agora ex-Legionário caiu
inconsciente no chão, deixando um Valna ainda agitado de pé. –
Nada muito elegante, mas por agora resolve seu caso.
Ele se voltou para Vera, que
começou a dar um olhar apavorado ao Legionário.
– Você
vem comigo. – Disse ele, e Vera o acompanhou pela porta do segundo
andar sem dizer uma palavra. Antes de partir, Valna olhou mais uma
vez para o corpo inerte e inconsciente do irmão. – Eu cuido de
você depois, Palace. Por agora, eu vou dar cabo da missão.
E partiu com a Legionária que
estava praticamente fazendo de refém agora, deixando o irmão
inconsciente no chão.
Cal
havia finalmente conseguido acalmar a menina. Não tinha explicado a
ela ainda sobre a situação, e certamente não achava que aquela
fosse a hora certa pra dizer o que realmente estava acontecendo.
– Se
sentindo melhor? – Perguntou o Cavaleiro, apenas olhando a menina
de cabelos castanhos de lado, sentada em uma caixa. Ela assentiu
positivamente.
Cal respirou fundo e resolveu
tentar falar com ela. – Eu me chamo Cal Rasen. Você tem um nome?
– …Irma.
– Respondeu ela. – Irma Aloisius.
O Construto tinha um nome.
Agia e se comportava como uma menina de quinze anos. Uma menina de
quinze anos que por algum motivo foi parar no pior lado da Fábrica
de Robôs. Era óbvio que algo não estava encaixando na história
deixada pelo cientista que falou com ele e depois por Noah.
– Você
não se perdeu. Você foi jogada aqui. – Deduziu Cal. –
Obviamente queriam me trazer pra cá. Só não sei pra quê tentar me
capturar num lugar perigoso. Talvez pra eu não chamar por ajuda
dessa vez?
– Espera,
do que você está falando? – A menina levantou de onde estava
sentada. – Eu lembro que eu levei algum golpe na cabeça e acordei
aqui… Mas como assim? Eu nem te conheço!
– Está
prestes a conhecer, pelo visto. – Respondeu Cal, conforme ele se
virava para receber os visitantes cuja mana ele tinha acabado de
sentir. – Fantástico.
Irma recuou no instante em que
reparou no homem ruivo de dois metros e a acompanhante de cabelos
castanhos a seu lado. Cal reconhecia o ruivo muito bem como um dos
Irmãos Atros, que ele havia enfrentado no ano anterior.
– Resolveu
dispensar seu irmão e procurar por uma prostituta no caminho pra
tentar arrancar a minha cabeça? – Indagou Cal, provocando uma
reação da Alquimista, que começou a preparar uma carga elétrica
na mão direita.
– Bem
como disseram, você tem problemas em manter o bico fechado! – Vera
imediatamente disparou o Trovão de Júpiter… Que acabou parando na
palma da mão direita de Cal, que estava absorvendo o ataque, muito
para a surpresa da Legionária novata.
– Dica
número um: Eletricidade não funciona comigo. – Cal prontamente
disparou de volta o ataque, apenas para ser anulado pela Zanbatô de
Valna, que estava animado com o desafio oferecido pelo Cavaleiro.
– Quem
são eles? – Perguntou Irma, ficando cada vez mais nervosa
assistindo a cena. – Eles não são seus amigos, são? Quem são
eles?
– Eu
posso dizer quem somos nós. – Respondeu Valna, com um sorriso que
alargava cada vez mais em seu rosto. – Nós somos os caras que vão
mostrar a você um mundo totalmente novo.
Valna estava olhando fixamente
para a menina de uniforme grudada em Cal, e esse olhar só deixava a
menina cada vez mais apavorada. Cal, por sua vez, sacou a Claymore e
apontou instintivamente para os Legionários. – Vocês vieram pela
garota.
– Pois
é, eu vim pela garota. – Respondeu Valna. – Porque a Legião por
algum maldito motivo quer o
mais novo projeto de Construtos da Rekenber, do qual ela é o
protótipo.
O coração de Irma congelou
naquele momento. – ...Construtos? ...Pro...tótipo?
– Você
não sabe falar? Faça perguntas coerentes, criatura! – Reagiu
Valna, disparando um olhar furioso de Cal.
– A
Legião tomou conhecimento de um certo projeto de um cientista da
Rekenber que insere almas de pessoas em corpos artificiais. – Vera
tomou a palavra. – Almas são um tanto mais eficientes que
pergaminhos de memória, se me permite dizer. E o corpo artificial é
incrementado de formas aleatórias por essas almas.
– Como
assim? – Questionou Cal. Valna apenas assistia a explicação com
um sorriso curioso.
– Você
sabe dos Construtos de Terceira Geração, não sabe, Rasen? –
Respondeu Vera. – Permita que eu, Vera Artemis, lhe dê uma
explicação do que acontece. Construtos III, como você gosta de
chamar, são falhos. Um bom exemplo disso é o que acontece quando
criam um corpo orgânico usando o DNA de outras pessoas, como, por
exemplo, o seu. Não foi assim que um dos recrutados da Legião
nasceu?
– Ora,
sua… – Cal prontamente reconheceu o perfil de Omni Ferus na
história de Vera.
– Seu
amiguinho Ferus é uma prova do quão instável um Construto III pode
ser. E obviamente, só existe uma única amostra da Quarta Geração,
habitando esta fábrica e atendendo por Kiehl, também conhecido como
o D-01, que basicamente fez isso a si mesmo. Um belo avanço
tecnológico que não deu em nada, tanto para ele quanto pras
crianças que ele sequestrou, adaptou e fez lavagem cerebral. –
Continuava Vera, deixando Irma cada vez mais em choque a cada palavra
proferida. Cal, por sua vez, não tinha como negar a informação que
Vera cuspia.
– Por
isso a Rekenber decidiu investir em um novo projeto quando um
Alquimista de nome Noah Spikier… – O nome disparou uma sirene
soando violentamente na mente de Cal – …Apareceu mostrando como
almas trazidas de Niflheim poderiam alimentar corpos orgânicos
artificiais e não trazer consequência alguma. Eles obviamente
acataram a ideia, resultando na Quinta Geração de Construtos. Da
qual a menina ali é simplesmente a cópia de avaliação.
Cal imediatamente voltou seus
olhos para uma catatônica Irma, lágrimas saindo dos olhos e reações
basicamente ausentes. O Cavaleiro imediatamente voltou seus olhos
para a dupla de Legionários, visivelmente disposto a matar os dois
só com a força do olhar se possível.
– Agora
imagina que situação legal. – Valna, sorrindo, sacava sua espada,
já esperando por um confronto com Cal. – Os caras da Rekenber
pegam e jogam o protótipo sem explicação nenhuma na Fábrica de
Robôs, não contam NADINHA ao cientista que colocou a menina no
colégio. Aí eles fazem o cara contatar você pra ir buscar a
menina, já que você é, tipo, o único RETARDADO em quem ele
confia.
– Coisa
boa ele ter me contado a participação dele na parada toda, não
foi? – Respondeu Cal, já não se incomodando mais em saber do
bem-estar já terrivelmente abalado da menina a seu lado. – Coisa
boa também ele saber que eu não sou retardado o bastante pra cair
pros cientistas ou pra vocês sem antes implodir essa porra toda
aqui.
– Você
não é tão forte assim, qual é. – Desafiou Valna. – É só
perguntar pro meu irmão–ah é. Eu nocauteei ele na porta do
elevador da Fábrica quando o retardado tentou me parar. Parece que a
missão era… imoral demais pra ele.
– Então…
– Vera interferiu na conversa. – Não deveríamos acabar com isso
antes que isso chamasse a atenção do D-01? Sabe, ele também quer a
menina.
– TODO
MUNDO quer a menina. – Respondeu Valna. – Parece que ela é a
bomba atômica PERFEITA pra todo mundo, só pela ideia de que ela
possui poder mágico ilimitado como diz as notas roubadas do Spikier.
– Que
tal a gente prosseguir com a palhaçada então? – Cal finalmente
avançou com a Claymore eletrificada em punho contra Valna. Este
esquivou do ataque e tentou descer sua Zanbatô contra Cal, que
saltou para o lado enquanto a enorme arma acertava o chão, que
explodia em pedaços de piso com a força do ataque.
Valna, porém, não parou ali,
e imediatamente pulou em Cal, desferindo uma sequência de Impactos
de Tyr. Cal dava seu melhor para defender cada ataque, mas
eventualmente foi acertado por um dos golpes, sendo puxado para o
peito de Valna no primeiro ataque e então arremessado contra a
parede no segundo.
– Errr,
argh… Isso doeu. – Reagiu Cal, se levantando com a espada na mão
e chacoalhando a cabeça enquanto se recuperava. – Meu prêmio por
não usar armadura.
Cal
mal teve tempo de levantar a cabeça para ver Valna novamente
avançando contra ele. Novamente, Valna resolveu a situação com um
forte cruzado de direita na cabeça de Cal, prontamente nocauteando o
Cavaleiro. Valna, admirado com sua vitória, prontamente beijou seu
punho direito. – Punho mágico, resolve TUDO.
Vera, por sua vez, já estava
com Irma em mãos enquanto Valna resolvia a situação com Cal. A
menina estava totalmente em choque, a ponto de sequer esboçar uma
reação quando foi agarrada pela cintura e jogada novamente sobre os
ombros de alguém. – É, quebrar psicologicamente funciona pra
acalmar.
Vera prontamente olhou para o
recém-nocauteado Cal e suspirou. – Ele é um bom pedaço de mau
caminho. Vai mesmo deixar ele pra morrer aqui?
– Nah,
ele não vai morrer agora. Provavelmente vai ser mutilado em
Regenschrim como os outros seis. – Respondeu Valna, que chamava
Vera para sair do local, sua missão aparentemente cumprida. –
Dimitri nos espera. Ele vai gozar legal quando souber que eu cumpri
praticamente sozinho a missão. Dá até pra deixar o Palace aqui e
ver como os cientistas se saem contra ele.
Os dois caminhavam agora em
direção à saída da Fábrica de Robôs, Vera carregando a
catatônica Irma nas costas. Valna não conseguia parar de se gabar
da vitória que havia acabado de conseguir. – Uma pena que a luta
não durou nada. Esperava um pouco mais de desafio do cara que ajudou
a vencer a Batalha de Sograt.
As vozes dos dois ficavam cada
vez mais distantes, enquanto Cal era deixado inconsciente no chão de
um local perigoso.
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Com isso, mais um episódio do começo da história do Cal aparece aqui pra dar mais vida a esse blog.
Tou meio sem discurso pra ficar descrevendo o lance todo, mas já é bastante óbvio como todo o contexto do primeiro livro original foi transformado e re-adaptado. Cenas retrabalhadas e reações menos clichês são a chave pra melhorar a escrita.
Tou meio sem discurso pra ficar descrevendo o lance todo, mas já é bastante óbvio como todo o contexto do primeiro livro original foi transformado e re-adaptado. Cenas retrabalhadas e reações menos clichês são a chave pra melhorar a escrita.
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