segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Jornada de Cal Rasen - Capítulo 4 - Troca de Lados

Abertura: The Noose – The Offspring


1.4 – Troca de Lados



O trio de Legionários estava finalmente dentro da Fábrica de Robôs. Não tinham a menor dificuldade em enfrentar as máquinas do local, fosse Aliza, Alicel ou Aliot.

Palace havia ajudado a guiar os outros dois ao local, mas já não estava mais disposto a cumprir a missão que lhe foi dada. Havia tido bastante o que pensar no caminho para a Fábrica, atravessando o lado de fora dos dormitórios do colégio e chamando atenção local enquanto Valna violentamente matava um Grand Peco ao empalar a ave e então um Bode, sem tirar o corpo da ave da enorme Zanbatô.

O Atros mais novo já estava questionando sua missão desde o começo, mas agora que estava perto de executá-la, parecia bastante decidido. Parou a meio caminho, já às portas do segundo andar da Fábrica, forçando os outros dois a pararem.

O que foi? – Indagou Valna. – Esqueceu de ir ao banheiro?

Palace apenas sacou sua Zanbatô e a apontou à altura da cabeça de Valna, olhando fixamente nos olhos do irmão. Valna não sabia se achava a situação irônica ou trágica.

Você não vai fazer isso, Palace. – Desafiou o irmão mais velho.

Errado, eu vou fazer isso. – Respondeu o mais novo. – Nunca se perguntou o que segura a gente na Legião, não é? Mesmo depois de termos vingado a morte de nossos pais.

Não era como se eles tivessem sido devorados por ursos e nós acabássemos sendo criados por lobos. – Respondeu Valna, sarcástico.

Vera apenas assistia os dois se desentendendo, sem nem cogitar se meter na discussão. Aquilo inclusive parecia divertido para ela.

E você ainda trata como se isso já fosse parte de você. – Palace encarava furioso seu irmão.

Pois é, porque eu aceitei que meu propósito é ajudar a Miss Edith Stein a criar a “nova ordem mundial” dela ou seja lá o que caralhos ela quer fazer. Não é seu caso, Palace. Você sempre protestou contra a ideia. Desde que Dimitri apareceu em nossas vidas!

Esse era o sinal de que a discussão entre os Irmãos Atros estava aquecendo. Valna agora estava mudando para uma expressão séria, pronto para enfrentar seu irmão.

Pois é, especialmente porque a ideia da vez é pegar uma adolescente e transformar ela no mais novo brinquedo do grupo, assim como aconteceu com a nossa acompanhante aqui! – Vociferou o ruivo com dreadlocks. Vera não ficou confortável com o comentário, mas sabia que iria sobrar pra ela, fisicamente, se ela entrasse na briga dos dois. Ela havia oficialmente se resignado a assistir o evento todo.

Grande hora pro seu senso de justiça aparecer, hein? – Valna estava levantando a voz agora. – Eu já tou de saco cheio de te dizer que a única justiça que existe no nosso mundo é a do mais forte! Você é o único que ainda insiste nessa porra!

Valna havia finalmente sacado sua Zanbatô e estava pronto para partir pra cima do irmão. A recíproca era verdadeira para Palace. – Você não me deixa escolha, Valna.

Os dois finalmente avançaram um contra o outro, com Vera servindo como espectadora. As duas espadas cruzavam fortemente, sem nunca acertar a pele de alguém. Cortes eram deixados na parede e chão do corredor pelas espadas enormes dos dois. Valna e Palace ambos demonstravam habilidade de manuseio e força inacreditáveis com suas Zanbatôs. E a discussão prosseguia conforme os dois se enfrentavam.

Você sabe o que um ato de traição significa, Palace! Você será caçado, você será pego, você será executado! E se tiver sorte, talvez eles não selem você ou façam alguma lavagem cerebral! – Proferiu Valna entre espadadas.

MAL POSSO ESPERAR PRA ABATER VOCÊ E O TIME DE CAÇA DELES! – Reagiu um furioso Palace, preparando um Impacto de Tyr, defendido por Valna sem muito esforço.

O Atros mais novo, se sentindo pressionado, resolveu recorrer à sua forma máxima, a do Monstro Veneravelmente Poderoso conhecido como Atroce. Era a mesma forma do irmão e as chances de uma briga igualada ou mesmo uma desvantagem contra o irmão eram grandes, mas o Atros mais novo já não quis mais arriscar. Valna, por sua vez, não quis saber de assistir e atacou o irmão no início do processo de transformação com um soco na cabeça, interrompendo prontamente a concentração e o processo do irmão.

O agora ex-Legionário caiu inconsciente no chão, deixando um Valna ainda agitado de pé. – Nada muito elegante, mas por agora resolve seu caso.

Ele se voltou para Vera, que começou a dar um olhar apavorado ao Legionário.

Você vem comigo. – Disse ele, e Vera o acompanhou pela porta do segundo andar sem dizer uma palavra. Antes de partir, Valna olhou mais uma vez para o corpo inerte e inconsciente do irmão. – Eu cuido de você depois, Palace. Por agora, eu vou dar cabo da missão.

E partiu com a Legionária que estava praticamente fazendo de refém agora, deixando o irmão inconsciente no chão.


Cal havia finalmente conseguido acalmar a menina. Não tinha explicado a ela ainda sobre a situação, e certamente não achava que aquela fosse a hora certa pra dizer o que realmente estava acontecendo.

Se sentindo melhor? – Perguntou o Cavaleiro, apenas olhando a menina de cabelos castanhos de lado, sentada em uma caixa. Ela assentiu positivamente.

Cal respirou fundo e resolveu tentar falar com ela. – Eu me chamo Cal Rasen. Você tem um nome?

– …Irma. – Respondeu ela. – Irma Aloisius.

O Construto tinha um nome. Agia e se comportava como uma menina de quinze anos. Uma menina de quinze anos que por algum motivo foi parar no pior lado da Fábrica de Robôs. Era óbvio que algo não estava encaixando na história deixada pelo cientista que falou com ele e depois por Noah.

Você não se perdeu. Você foi jogada aqui. – Deduziu Cal. – Obviamente queriam me trazer pra cá. Só não sei pra quê tentar me capturar num lugar perigoso. Talvez pra eu não chamar por ajuda dessa vez?

Espera, do que você está falando? – A menina levantou de onde estava sentada. – Eu lembro que eu levei algum golpe na cabeça e acordei aqui… Mas como assim? Eu nem te conheço!

Está prestes a conhecer, pelo visto. – Respondeu Cal, conforme ele se virava para receber os visitantes cuja mana ele tinha acabado de sentir. – Fantástico.

Irma recuou no instante em que reparou no homem ruivo de dois metros e a acompanhante de cabelos castanhos a seu lado. Cal reconhecia o ruivo muito bem como um dos Irmãos Atros, que ele havia enfrentado no ano anterior.

Resolveu dispensar seu irmão e procurar por uma prostituta no caminho pra tentar arrancar a minha cabeça? – Indagou Cal, provocando uma reação da Alquimista, que começou a preparar uma carga elétrica na mão direita.

Bem como disseram, você tem problemas em manter o bico fechado! – Vera imediatamente disparou o Trovão de Júpiter… Que acabou parando na palma da mão direita de Cal, que estava absorvendo o ataque, muito para a surpresa da Legionária novata.

Dica número um: Eletricidade não funciona comigo. – Cal prontamente disparou de volta o ataque, apenas para ser anulado pela Zanbatô de Valna, que estava animado com o desafio oferecido pelo Cavaleiro.

Quem são eles? – Perguntou Irma, ficando cada vez mais nervosa assistindo a cena. – Eles não são seus amigos, são? Quem são eles?

Eu posso dizer quem somos nós. – Respondeu Valna, com um sorriso que alargava cada vez mais em seu rosto. – Nós somos os caras que vão mostrar a você um mundo totalmente novo.

Valna estava olhando fixamente para a menina de uniforme grudada em Cal, e esse olhar só deixava a menina cada vez mais apavorada. Cal, por sua vez, sacou a Claymore e apontou instintivamente para os Legionários. – Vocês vieram pela garota.

Pois é, eu vim pela garota. – Respondeu Valna. – Porque a Legião por algum maldito motivo quer o mais novo projeto de Construtos da Rekenber, do qual ela é o protótipo.

O coração de Irma congelou naquele momento. – ...Construtos? ...Pro...tótipo?

Você não sabe falar? Faça perguntas coerentes, criatura! – Reagiu Valna, disparando um olhar furioso de Cal.

A Legião tomou conhecimento de um certo projeto de um cientista da Rekenber que insere almas de pessoas em corpos artificiais. – Vera tomou a palavra. – Almas são um tanto mais eficientes que pergaminhos de memória, se me permite dizer. E o corpo artificial é incrementado de formas aleatórias por essas almas.

Como assim? – Questionou Cal. Valna apenas assistia a explicação com um sorriso curioso.

Você sabe dos Construtos de Terceira Geração, não sabe, Rasen? – Respondeu Vera. – Permita que eu, Vera Artemis, lhe dê uma explicação do que acontece. Construtos III, como você gosta de chamar, são falhos. Um bom exemplo disso é o que acontece quando criam um corpo orgânico usando o DNA de outras pessoas, como, por exemplo, o seu. Não foi assim que um dos recrutados da Legião nasceu?

Ora, sua… – Cal prontamente reconheceu o perfil de Omni Ferus na história de Vera.

Seu amiguinho Ferus é uma prova do quão instável um Construto III pode ser. E obviamente, só existe uma única amostra da Quarta Geração, habitando esta fábrica e atendendo por Kiehl, também conhecido como o D-01, que basicamente fez isso a si mesmo. Um belo avanço tecnológico que não deu em nada, tanto para ele quanto pras crianças que ele sequestrou, adaptou e fez lavagem cerebral. – Continuava Vera, deixando Irma cada vez mais em choque a cada palavra proferida. Cal, por sua vez, não tinha como negar a informação que Vera cuspia.

Por isso a Rekenber decidiu investir em um novo projeto quando um Alquimista de nome Noah Spikier… – O nome disparou uma sirene soando violentamente na mente de Cal – …Apareceu mostrando como almas trazidas de Niflheim poderiam alimentar corpos orgânicos artificiais e não trazer consequência alguma. Eles obviamente acataram a ideia, resultando na Quinta Geração de Construtos. Da qual a menina ali é simplesmente a cópia de avaliação.

Cal imediatamente voltou seus olhos para uma catatônica Irma, lágrimas saindo dos olhos e reações basicamente ausentes. O Cavaleiro imediatamente voltou seus olhos para a dupla de Legionários, visivelmente disposto a matar os dois só com a força do olhar se possível.

Agora imagina que situação legal. – Valna, sorrindo, sacava sua espada, já esperando por um confronto com Cal. – Os caras da Rekenber pegam e jogam o protótipo sem explicação nenhuma na Fábrica de Robôs, não contam NADINHA ao cientista que colocou a menina no colégio. Aí eles fazem o cara contatar você pra ir buscar a menina, já que você é, tipo, o único RETARDADO em quem ele confia.

Coisa boa ele ter me contado a participação dele na parada toda, não foi? – Respondeu Cal, já não se incomodando mais em saber do bem-estar já terrivelmente abalado da menina a seu lado. – Coisa boa também ele saber que eu não sou retardado o bastante pra cair pros cientistas ou pra vocês sem antes implodir essa porra toda aqui.

Você não é tão forte assim, qual é. – Desafiou Valna. – É só perguntar pro meu irmão–ah é. Eu nocauteei ele na porta do elevador da Fábrica quando o retardado tentou me parar. Parece que a missão era… imoral demais pra ele.

Então… – Vera interferiu na conversa. – Não deveríamos acabar com isso antes que isso chamasse a atenção do D-01? Sabe, ele também quer a menina.

TODO MUNDO quer a menina. – Respondeu Valna. – Parece que ela é a bomba atômica PERFEITA pra todo mundo, só pela ideia de que ela possui poder mágico ilimitado como diz as notas roubadas do Spikier.

Que tal a gente prosseguir com a palhaçada então? – Cal finalmente avançou com a Claymore eletrificada em punho contra Valna. Este esquivou do ataque e tentou descer sua Zanbatô contra Cal, que saltou para o lado enquanto a enorme arma acertava o chão, que explodia em pedaços de piso com a força do ataque.

Valna, porém, não parou ali, e imediatamente pulou em Cal, desferindo uma sequência de Impactos de Tyr. Cal dava seu melhor para defender cada ataque, mas eventualmente foi acertado por um dos golpes, sendo puxado para o peito de Valna no primeiro ataque e então arremessado contra a parede no segundo.

Errr, argh… Isso doeu. – Reagiu Cal, se levantando com a espada na mão e chacoalhando a cabeça enquanto se recuperava. – Meu prêmio por não usar armadura.

Cal mal teve tempo de levantar a cabeça para ver Valna novamente avançando contra ele. Novamente, Valna resolveu a situação com um forte cruzado de direita na cabeça de Cal, prontamente nocauteando o Cavaleiro. Valna, admirado com sua vitória, prontamente beijou seu punho direito. – Punho mágico, resolve TUDO.

Vera, por sua vez, já estava com Irma em mãos enquanto Valna resolvia a situação com Cal. A menina estava totalmente em choque, a ponto de sequer esboçar uma reação quando foi agarrada pela cintura e jogada novamente sobre os ombros de alguém. – É, quebrar psicologicamente funciona pra acalmar.

Vera prontamente olhou para o recém-nocauteado Cal e suspirou. – Ele é um bom pedaço de mau caminho. Vai mesmo deixar ele pra morrer aqui?

Nah, ele não vai morrer agora. Provavelmente vai ser mutilado em Regenschrim como os outros seis. – Respondeu Valna, que chamava Vera para sair do local, sua missão aparentemente cumprida. – Dimitri nos espera. Ele vai gozar legal quando souber que eu cumpri praticamente sozinho a missão. Dá até pra deixar o Palace aqui e ver como os cientistas se saem contra ele.

Os dois caminhavam agora em direção à saída da Fábrica de Robôs, Vera carregando a catatônica Irma nas costas. Valna não conseguia parar de se gabar da vitória que havia acabado de conseguir. – Uma pena que a luta não durou nada. Esperava um pouco mais de desafio do cara que ajudou a vencer a Batalha de Sograt.


As vozes dos dois ficavam cada vez mais distantes, enquanto Cal era deixado inconsciente no chão de um local perigoso.

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Com isso, mais um episódio do começo da história do Cal aparece aqui pra dar mais vida a esse blog.

Tou meio sem discurso pra ficar descrevendo o lance todo, mas já é bastante óbvio como todo o contexto do primeiro livro original foi transformado e re-adaptado. Cenas retrabalhadas e reações menos clichês são a chave pra melhorar a escrita.

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