Jornada de Cal Rasen
Por Christiano “Incinerate”
Lopes
Abertura: The Noose – The Offspring
Livro 1 – Construção
1.1 – Ordem do Trovão
Vale
de El Mes, 30 de Março de 1009, cerca de 9:00.
O louro de camiseta azul-piscina e calça camuflada estava sentado
diante de uma fogueira apagada, sentado em um toco de tronco de
árvore. Ao seu lado, uma Claymore estava fincada ao chão, esperando
seu dono a remover do local.
Cal havia passado as últimas duas semanas mexendo com diversos
assuntos. Havia sido assim desde que seu relacionamento com Hanna
Hendstron havia amargado no final do ano anterior. Estar viajando
pelo mundo não era apenas uma busca para Cal, era na verdade a sua
forma de fugir dos eventos que haviam lhe acontecido recentemente. E
ele estava escondendo isso de seu clã, acreditando que não era uma
coisa que seus amigos poderiam resolver.
O olhar vazio finalmente acordou e ganhou conteúdo. Ele se levantou,
pegou sua espada e começou a se preparar para deixar o local. E
então, quase que instintivamente, ele deixou sua voz sair.
– Quem quer que seja, eu
aconselho que dê as caras agora.
Cal havia sentido a presença da pessoa que o estava vigiando nos
últimos dias. O Mercenário que estava seguindo Cal saiu de trás da
árvore, revelando a aparência de um homem de longos cabelos louros
e olhos castanhos. O rosto era altamente familiar a Cal, mas algo
estava seriamente errado.
– ...Isso é algum tipo de
palhaçada? – Reagiu Cal ao que estava vendo, sem entender o que
estava acontecendo. O rosto não era apenas familiar a ele.
Aquele rosto era o mesmo de seu irmão, Merjön.
Base da Ordem do Trovão.
Johan e Gustave discutiam o curso de ação que iriam seguir dali em
diante. Detto era um assunto que já havia sido discutido pelos dois;
Johan precisava manter o olho no Templário a todo custo. O
Mercenário de cabelo espetado, porém, tinha outras coisas a
resolver, especialmente na situação em que se encontrava agora.
– Então nós vamos fazer isso? –
Indagou Gustave, o Espadachim de cabelo liso, com duas mexas maiores
puxando para trás por cima de sua cabeça.
– Agora que eu não tenho mais
que me preocupar com o Veneno do Escorpião Vermelho em meu corpo...
– Johan se referia à toxina letal que, antes de uma situação de
quase morte na Batalha de Sograt, estava matando seu corpo – ...eu
acho que chegou a hora de dar ao Scorpio o que ele me ensinou de
volta.
Gustave voltou os olhos para o monitor ao seu lado, mostrando uma
análise do contingente da organização para a qual Johan um dia
trabalhou, os Escorpiões Vermelhos. – Não vai conseguir fazer
isso sem reforços.
– Não penso em fazer isso sem
reforços e você sabe disso. – Johan apertou uma tecla em frente
ao monitor e a imagem de uma Mercenária de pele escura apareceu em
uma janela.
– Não sei se a Thelastris vai
concordar em ajudar você nisso. – Respondeu Gustave.
– Não preciso fazer ela
concordar. – Johan estava seguro de si, mantendo o olhar sério e o
tom de voz tranquilo. – Com o que tem acontecido recentemente, ela
vai acabar sendo… “arrastada pro tornado”.
Gustave podia sentir a tranquilidade de seu amigo de longa data
emanando da voz e da expressão dele. Deixou um sorriso confiante
escapar pelo rosto. – Bem, pra todo efeito eu ainda sou o seu
“spotter”.
E então foi a vez de Johan deixar um sorriso, fitando o monitor mais
uma vez. – Eu vou me divertir fazendo isso.
Cal confrontava o ser misterioso no Vale de El Mes. A pessoa diante
dele parecia com seu irmão Merjön, mas definitivamente não possuía
sequer a mesma postura dele.
A última vez que Cal havia visto seu irmão foi em 1006, meses antes
da Ruína acontecer. Merjön tinha planos próprios em mente, mas ele
jamais havia dito a Cal o que ele realmente queria fazer.
– Quem é você? – Indagou Cal,
rispidamente.
– Certamente alguém que não
está desperdiçando os poderes dos quais é dotado com pequenos
animais. – Respondeu o homem, dando um sorriso confiante.
– Você soa como meu irmão,
parece com meu irmão, mas definitivamente não é ele. – Cal a
essa altura mostrava um olhar feroz sobre aquela pessoa. – O que me
lembra que ele mesmo ainda me deve explicações quando eu achar ele.
O homem começou a caminhar na direção de Cal, sem perder a postura
arrogante. – Olhe pra você. O “filho especial” dos Rasen. Eu
adoraria saber o que você possui de tão especial.
– O que eu adoraria mesmo é
saber seu nome. Embora eu dispense o seu telefone, obrigado. – Cal
tentava se distrair da tensão que estava acumulando ali com piadas
de seu próprio porte. O homem parou a dois metros dele, e os dois
ficaram mudos por cerca de um minuto até que ele começou a falar.
– Meio milênio atrás. Era uma
era tumultuada, Glast Heim graças ao Rei Schmitz Von Walter estava
travada em uma violenta guerra com o reino de Geffenia. Culminou em
eventos curiosos que levaram ao fim das duas civilizações, no ano
431. Schmitz recorreu a um
poder conhecido como Corrupção,
e o rei de Geffenia criou
supertecnologia para responder em forma similar.
E então, os céus desceram a Midgard. E tudo virou chamas.
Cal permaneceu mudo, ouvindo a história. Ele conhecia uma boa parte
do que estava ouvindo, enquanto parte da informação lhe parecia
nova.
– Não há relatos verídicos do
que realmente aconteceu naquele ano. Explosão nuclear, uns dizem.
Força das trevas engolindo duas civilizações e quase o resto do
mundo, outros dizem. Uma
Valquíria descendo e nivelando Glast Heim é outro relato.
E claro, temos
a história de Julian Belmont e o confronto de Deuses que quase
partiu Midgard inteira no meio.
Cal finalmente tomou a palavra. – No que isso tudo me envolve? Ou
tem alguma coisa que você deixou por último de propósito?
– Essa coisa que “ficou por
último” é o Cavaleiro que lutou para manter os inocentes vivos no
meio da onda de calamidade que estava acertando Midgard. Escolhido
por Thor. Lutando por ninguém.
O clã que ele liderava certamente possuía reputação.
Cal imediatamente reconheceu aquela história como sendo a de seu
ancestral, Malachias Rasen.
– Ele saiu vivo disso tudo, teve
filhos, que tiveram filhos, e por aí foi… Até chegar em nós
dois. Cada um tão forte quanto seu antecessor, mas nenhum se
dispondo a acessar tal poder… Até Agnus Rasen se alistar ao
serviço.
O silêncio vindo de Cal era de incredulidade. A história toda não
fazia sentido. – Espera um segundo, aonde você quer chegar com
essa conversa toda?
– O que você realmente faz com
seus poderes, Cal? – O homem finalmente começou a se referir ao
louro pelo nome. – Porque pelo que sei, os que vieram antes de você
preferiram esconder esse poder todo, essa capacidade de serem
relâmpagos humanos! E sabe o que foi acontecendo enquanto isso?
Outros fizeram o trabalho sujo para os Rasen. Você deve conhecer
alguns desses nomes. Kerd Draloth. Alexander Eisenheim. Leafar
Belmont.
O último nome fez Cal mostrar seus dentes em uma expressão feroz. O
homem havia finalmente mexido em um nervo do Cavaleiro. O homem então
adicionou:
– E assim foi até que a Ruína
cobrou a vida de Agnus e da mulher dele.
– NÃO SE ATREVA A SE REFERIR A
ELES COMO SE FOSSEM VERMES! – Cal avançou com a Claymore para cima
do ser, que esquivou facilmente da técnica principal de Cal, a
Lâmina Trovão. A lâmina da Claymore, carregada com a eletricidade
vinda da Mana verde de Cal, havia sequer tocado o homem, que recuou
cerca de cinco metros sem fazer esforço algum.
Cal não demonstrou surpresa ante a agilidade daquele homem, que
agora demonstrava um sorriso arrogante, de orelha a orelha.
– Assim como você, Cal, o que eu
tenho descende de Malachias Rasen. Diferente de você, porém, o meu
é muito maior. – O sorriso daquele homem, junto com os olhos agora
brilhando em um púrpura forte e a eletricidade começando a surgir
de seu corpo, vinda do braço direito coberto em bandagens,
finalmente davam a Cal uma ideia do que ele estava prestes a
enfrentar.
Não era como se Cal estivesse fazendo esforço para levar o oponente
a sério, porém. – ...Tá, então a discussão se reduziu ao
tamanho do seu pênis? O que vem depois, eu serei contratado pra um
filme pornô?
Cal podia notar o homem desenfaixando o braço direito. Eletricidade
púrpura começou a surgir, e então esta assumiu um verde forte,
quase gritante, mas definitivamente muito diferente da Mana do
Cavaleiro. Cal já havia dado por certo que a provocação não tinha
surtido muito efeito.
– Acho que chegou a hora de eu
lhe mostrar, Caledonius Rael Rasen, O VERDADEIRO PODER DE UM HERDEIRO
DE THOR!!! – Bradou o homem, agora avançando contra o Cavaleiro,
que finalmente se prontificou a entrar em posição de combate e
sacar sua Claymore.
O clima começou a mudar conforme o confronto tinha início. O céu,
antes com apenas algumas nuvens, agora estava coberto pelas nuvens.
As katares do homem misterioso colidiram rapidamente com a Claymore
de Cal, faíscas saindo do ponto de choque das lâminas. Os dois se
encaravam, olhos castanhos e roxos emparelhados, enquanto o ser
continuava seu estranho discurso.
– O poder liberado pelo sangue
dos Rasen pode ser severamente amplificado por fatores externos,
sabia, Cal? Mas obviamente um preço vem com isso. Ser o melhor de
sua espécie significa que você precisa mudar sua própria
identidade pra sempre.
– Mudar de identidade? Por acaso
você não quis dizer “roubar a identidade dos outros”? –
Respondeu Cal, ainda fitando o rosto daquela pessoa e reconhecendo o
de seu irmão Merjön. Os dois soltaram suas lâminas e trocaram mais
alguns golpes, cruzando mais uma vez as lâminas em outra posição.
– E honestamente, eu não acho que sejamos da mesma espécie,
porque algo em mim diz que a sua não possui coração.
– …Coração? – Indagou o
homem. – Eu nunca precisei de um coração. Isso é um obstáculo,
tanto foi para mim quanto é pra você!
– Na real, eu já cansei desse
papo furado. – Cal mais uma vez soltou sua Claymore, girou o corpo
e disparou seu ataque principal, a Lâmina Trovão, contra o homem,
que dessa vez defendeu o ataque com suas katares. Os olhos de Cal se
tornaram mais afiados quando ele recuou a espada e lançou um novo
ataque, mais rápido. – ONDA DE TROVÃO!
O giro que Cal fez com a espada, lançando a lâmina de baixo para
cima, fez com que uma onda de eletricidade se formasse e acertasse o
ombro de seu oponente. Este reagiu girando seu corpo para longe da
espada de Cal, diminuindo o estrago do ataque e revidando com um
golpe vindo de seu braço direito. – CHOQUE RÁPIDO!
O novo golpe era uma massa de eletricidade desferida da katar que
parecia forte o bastante para fazer uma parte do corpo simplesmente
adormecer com a força do impacto. O ataque, porém, não foi rápido
o bastante para acertar Cal, que jogou o corpo para a esquerda e
evitou o disparo por meros cinco centímetros.
Era óbvio que o confronto não teria um final visível ou um
vitorioso claro. Reparar na troca de golpes foi o que motivou o homem
misterioso a recuar, apenas fitando Cal novamente. Cal fez o mesmo,
aguardando um próximo movimento. – Já cansou? Pensei que seus
poderes fossem superiores aos meus.
– Hm. – O homem olhava,
intrigado. – Você realmente evolui rápido. Seis meses usando esse
poder e você já está começando a aprender truques novos.
Cal permaneceu mudo, enquanto o homem completava seu discurso
enquanto tirava uma Asa de Borboleta de seu bolso. – Na próxima
vez, eu não deixarei a briga fácil pro seu lado.
– Você vai recuar agora? Qual é
o seu problema? – Reagiu Cal, exasperado pela nova manobra.
O homem não respondeu. Apenas esmagou o item em sua mão e se deixou
ser teleportado por ele, deixando o Cavaleiro sozinho no planalto.
Cal ficou sem reação, com o único som ao seu redor sendo o vento e
os animais locais. O silêncio havia voltado ao ambiente, deixando
Cal sozinho para tentar entender o que havia acabado de ocorrer ali.
– …Mas quem é você, afinal? –
Perguntou a si mesmo, com a cabeça baixa e uma expressão confusa.
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Olha só, eu lembrei que eu tenho um blog onde eu posto fics de Ragnarok Online. Pois é, já era hora de eu começar a botar em dia a fic da Jornada, enquanto eu não falo com o Rafa pra resolver o que eu preciso pra continuar Viridis, e eu arrumo a minha cabeça pra ver se consigo fazer o plot de Escaleno funcionar.
Mas é, eu tou com o Livro 1 terminado, e vou ver o que pode ser feito com os seguintes enquanto eu arrumo isso tudo aqui. Até porque já fazia um tempo que eu não botava alguma coisa pra funcionar que não fosse meu canal do YouTube.
Mas é, eu tou com o Livro 1 terminado, e vou ver o que pode ser feito com os seguintes enquanto eu arrumo isso tudo aqui. Até porque já fazia um tempo que eu não botava alguma coisa pra funcionar que não fosse meu canal do YouTube.
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