sábado, 17 de outubro de 2015

Equilátero: Capítulo 7: Superpoder

Equilátero: Redenção de Cal Rasen


Capítulo 7: Superpoder


Casa de Cal, Leste de Izlude.

Elsa apenas ficava olhando para a garota deprimida diante da janela em direção ao Mjolnir. Parada, imóvel. Irma não saía de lá desde que chegou de Prontera. A Alice sabia que as coisas não podiam estar certas com a garota. Desde que ela havia chegado em casa, ela só fazia chorar e olhar naquela direção. Mas agora, Irma estava estranhamente quieta.

- Irma... Você está bem? - Perguntou Elsa.

A maga não reagiu. Mantinha os olhos vidrados em direção às montanhas sem esboçar reação nenhuma.

- Cal vai ficar bem. Eu confio nele. Você não? - Elsa tentou animar a garota, mas ela continuou imóvel como uma pedra.

Ela estava inerte. Quase como se não houvesse mais vida em seu corpo. Ela só iria demonstrar algum mínimo de resposta física a algo de fora se esse algo tivesse relação com Cal. Zy já havia notado isso no tempo que passou com ela; a garota era extremamente dependente de Cal. A separação forçada pelo coma do Cavaleiro não mudou muito disso, uma vez que Irma havia começado a treinar para se virar por conta própria.

Irma só viria a demonstrar algum movimento ao finalmente notar algo diferente no ar. Ela agora sentia a mana de Cal enfraquecer, enquanto a de Ferus aumentava ainda mais.

E então, uma sensação fria tomou seu corpo como por assalto. Ela levantou, com o corpo altamente trêmulo. Pronunciou algo que Elsa não conseguiu ouvir, mesmo com os sensores auditivos no máximo. E então o impulso mais violento a fez saltar pela janela de casa, em direção à rua, pousando em pé. Irma começou a correr com toda a força que suas pernas possuíam, em direção à saída de Izlude.

Foi o bastante para que Elsa ficasse apavorada e confusa. E então, ela pensou que a única coisa que ela podia fazer era avisar Johan e Zy, naquele momento parados no Café Delight, quase do outro lado da rua onde a casa de Cal ficava.






Osthreinsburg, Capela destruída.


A luta entre Cal e Ferus estava finalmente chegando ao ápice. O ser sinistro estava demonstrando mais força do que antes, com golpes cada vez mais ferozes. Enquanto o Cavaleiro estava finalmente notando que marcas brilhantes surgiam pelo corpo negro de seu clone.

- Esse poder, Cal. Esse é o poder que SUA FAMÍLIA concedeu à MINHA EXISTÊNCIA! Pode sentir isso, Cal? Pode sentir o poder que vai ENCERRAR SUA VIDA??
Ferus, que estava chocando sua espada com a de Cal, liberou então uma poderosa energia dourada, junto ao Impacto de Tyr, que mandou seu adversário voando até o pilar no canto.

Era notável que o Cavaleiro estava com problemas. Sua armadura, mesmo resistindo a trancos semelhantes, não era indestrutível e já começava a apresentar rachaduras, sinalizando que os danos estavam começando a exceder a resistência da mesma. 

O predador, caminhando na direção da vítima, o olhou, mas não com seu tom costumeiro de fúria. Para o Construto, era finalmente a chance de entender o quão diferentes os dois eram.

- Sua resistência. Sua persistência. Eu não consigo pensar em nada mais além do quão interessante você é, pelo jeito que você é. De todas as pessoas que eu já matei, que eu já enfrentei, você é a mais teimosa, a mais persistente! QUAL É O SENTIDO DISSO?

Cal se levantava para continuar lutando. Ele entendia as palavras de Ferus.

- E você? Qual é o seu problema com esse mundo? O que faz você querer tanto destruir esse mundo?

Ferus começou a rir. O questionamento de Cal ao propósito dele parecia totalmente alienígena. - Você é uma pessoa muito engraçada.

E então seus olhos escureceram como se estivessem apagados. Seu corpo começou a brilhar e seu cabelo branco assumiu um intenso brilho dourado, assim como os riscos no rosto. Uma marca na forma de uma ave surgiu em seu peito. Sua voz, conforme seu discurso era pronunciado, se tornou tenebrosa.

- Este mundo que você defende é um lugar podre. Este lugar cobra TUDO de você, ele TOMA TUDO de você. Não importa quanto você se esforçe, não importa o quanto de si você entregue a este mundo, não importa se você quer apenas ter uma vida tranquila ao lado das pessoas que ama, VOCÊ PERDERÁ TUDO! Entende a desgraça disso, Cal? A desgraça de ser TOTALMENTE IMPOTENTE enquanto O SEU MUNDO DESABA?

Ferus apontou sua espada para o cavaleiro e o mesmo correu na direção do Construto, pegando sua espada no caminho. Os dois chocaram suas armas e estavam forçando com tudo. A aura de Cal brilhava como nunca, mas ainda assim aparentava não ser o bastante para conseguir igualar o tamanho poder que fluía do corpo de seu adversário. E o discurso de Ferus continuava com toda a fúria apresentada nele.

- Seus esforços, suas crenças, SUA ALMA, NADA DISSO IMPORTA PRA ESTE MUNDO DOENTE! NÓS NUNCA SEREMOS FELIZES, CAL! NÓS NUNCA TEREMOS AQUILO QUE MAIS QUEREMOS! - Os olhos de Ferus então focaram nos de Cal. - E você sabe qual é a parte engraçada disso tudo?

Naquele momento, os olhos de ambos se travaram um no outro. O sorriso no rosto de Ferus alargava conforme seu discurso prosseguia.

- Só existe um abismo no final do caminho. Com nós dois, um em cada beirada. Esperando. Aguardando pelo momento em que O PRIMEIRO IRÁ DECIDIR POR PULAR PARA A MORTE!

Foi um momento que durou para sempre, mas ao menos tempo, não era menos do que dois segundos. Dois segundos que culminaram na aura de Cal explodindo. Seus olhos furiosos focando Ferus, o sorriso na boca daquele demônio que ele estava tão determinado a matar. E o outro só conseguia esboçar uma reação.

- Sim... Essa expressão, ESSE PODER. O MESMO PODER QUE VOCÊ DEMONSTROU NA TORRE DA LEGIÃO! A MESMA AUSÊNCIA DE ALMA, ERA ISSO QUE EU QUERIA!!!

Uma gigantesca luz verde explodiu dentro da capela. Mas não a mesma luz verde que o cavaleiro estava acostumado a emanar, era um brilho mais escuro, quase uma luz negra. Por um momento, aquela luz assumiu o tom mais escuro e logo depois ela se tornou a luz mais clara possível.

Osthreinsburg foi engolida por luz verde naquele momento.





Siegfried olhava calmamente do Monte Mjolnir para a luz verde que iluminava a escuridão do entardecer chuvoso. Osthreinsburg estava sendo iluminada por aquele combate.


- Então... Este é o clímax... - Dizia Siegfried, como se estivesse prevendo como seria aquele combate todo. - Lute, Cal. Com todas as suas forças.

Hilde apenas olhava para Siegfried, apreensiva. Ao mesmo tempo em que podia sentir a energia vindo do local, a onda de choque na forma da mana de dois guerreiros extremamente poderosos.





Durante aquele minuto, Cal havia se soltado da colisão de espadas e avançado na mais poderosa Lâmina Trovão que poderia disparar. Mas algo inesperado aconteceu e então a luz se dissipou. Uma grande cratera havia ficado onde a explosão tinha tido seu lugar. 

Era possível ver a mana fluindo em ondas de choque violentamente pelo local, como se uma reação nuclear tivesse sido disparada. Foi quando o Cavaleiro apareceu, sendo segurado pelo pescoço por Ferus. Cal, inexplicavelmente, sentia algo dentro de si ser drenado. Podia ver seu inimigo inflando o peito e puxando todo o ar que conseguia. Em pouco tempo seu corpo perdeu toda a energia que tinha.

O clone havia conseguido engolir a massa de luz que estava presa em seu peito. Tinha acabado de absorver a energia do cavaleiro, a mesma que havia passado de gerações em gerações até chegar ao seu atual dono. Ferus sorriu satisfeito, conforme seu cabelo começava a brilhar num branco luminoso prestes a cegar.

- Impossível... Essa habilidade... A mesma do Covee... - Dizia Cal, tentando se soltar da mão esquerda do Construto. Ele havia reconhecido a habilidade de John Covee de drenar energia das pessoas, mas Ferus havia modificado essa habilidade para um propósito diferente. Ele estava usando essa habilidade para drenar a mana de Cal para si.

- Sim, eu finalmente consegui. EU TENHO O SEU PODER! E TUDO GRAÇAS AO RETARDADO QUE SALVOU A VIDA DE SUA IRMAZINHA!!! - O sorriso de Ferus de orelha a orelha não poderia ser o bastante para descrever a emoção que ele sentia. Para o Construto, aquilo era quase uma masturbação.

- Seu... Desgraçado... - Cal mal tinha forças para reagir a essa altura do campeonato. - Então foi isso que você fez com o meu irmão...

- SIM, AQUELE PEDAÇO INÚTIL, AQUELE SIMULACRO QUE FINGIA SER SEU IRMÃO! UMA CÓPIA DE UM PRA UM DOS PODERES DELE, E EU ABSORVI COMO SE FOSSE O ARTIGO ORIGINAL!

A mente de Cal parou ali, naquela resposta. Simulacro? Uma "cópia pirata" de seu irmão? Merjon ainda estaria vivo? Se sim, quem era aquela pessoa que Cal encarou dois anos antes no Planalto de El Mes? No entanto, aquilo ali poderia nem importar mais. Ferus agora tinha o equivalente a toda a geração atual de sua família em poder. E estava prestes a dar uma demonstração em primeira mão desse poder a Cal.

O ser, agora aparentemente invencível, saltou sem soltar o pescoço do rival e deu um movimento giratório no ar. Ele arremessou o cavaleiro contra o chão com uma força jamais antes vista.

O tempo pareceu parar para Cal conforme ele era arremessado. Os olhos amarelados daquele monstro eram uma demonstração de sua insanidade e ao mesmo tempo a satisfação de ter conseguido tudo aquilo que sempre quis. E a incredulidade do Cavaleiro fez com que o tempo voltasse a correr com força total. Como se estivesse batendo contra ele. Como se tivesse descido uma montanha em queda livre e acertado o chão com tudo. Porque era exatamente o que Ferus tinha acabado de fazer com ele.

O instante seguinte se resumiu a Cal se chocando contra o chão a uma velocidade na qual seus ossos teriam se espatifado com facilidade, não fosse a armadura que ele estava usando. Sua indumentária, aliás, voava em pedaços pelo ar, conforme rodopiava pelo impacto em direção à próxima colisão com o chão. Ferus havia explodido o equipamento no corpo dele, tamanha a força com que havia arremessado seu inimigo ao chão. E o mesmo homem continuou rolando em altíssima velocidade e colidindo em tudo pelo caminho, enquanto ia contra direção de um pilar.

Naquele momento, Cal sentiu como se suas costas estivessem prestes a se estilhaçar pela violência em que foi arremessado. Ele não conseguia reagir e seu corpo, com a velocidade de um meteoro, derrubou o pilar como uma árvore acertada por uma rocha iria ao chão.

O prazer de Ferus a essa altura do campeonato era comparável ao de um orgasmo. Seu corpo tremia com a excitação causada pelo poder supremo em suas mãos. E ele ainda queria sentir mais. Ou pelo menos terminar de quebrar seu oponente, já praticamente arrebentado por seu último movimento.

Ferus então tomou sua decisão. O construto pegou sua espada e simplesmente caminhou em direção ao centro do caos que havia causado com seu golpe.

Apesar da força violentíssima, o Cavaleiro se levantava, mesmo com boa parte do equipamento caindo aos pedaços. As costelas quebradas provocaram uma dor lancinante por todo o corpo. Cal fazia toda a força que podia para conseguir apenas ficar de pé.

Porém, antes de poder reagir, sentiu um forte empurrão para trás, lhe deixando completamente em postura ereta. Os olhos arregalaram, ao passo que ele via o sorriso maníaco de Omni Ferus. Sangue voou de sua boca conforme ele tossia. Ao olhar para baixo, havia finalmente percebido que seu inimigo havia atravessado ele com força total, usando a espada de ônix.

- N.. Não... - Sangue vertia de sua boca enquanto o grito causado por sua derrota entalava completamente em sua garganta.

- Sim... SIM... SIM! - O "orgasmo" de Ferus estava finalmente completo. A sensação de vitória, de conquista, de realização. Seus sonhos estavam finalmente realizados. E como um toque final, Ferus chutou o peito do Cavaleiro com tudo, ao passo em que puxava a espada de volta.

Cal caiu inerte ao chão, incapaz de se mexer, com um enorme buraco em seu peito. E a imensa dor da derrota, muito superior a física, tomava-o por completo. Toda força que lhe restava era apenas para observar Ferus caminhava ao seu lado. Cal havia fracassado. Estava morrendo.

- E agora, o momento MAIS ESPERADO da história! O SEU FIM!

O Construto ergueu sua espada, visando decapitar seu oponente com apenas um golpe. Para o Cavaleiro, só lhe restava a morte.


OFF


Uma coisa que eu gostei de fazer ao reescrever esse capítulo foi remover completamente uma cena, em troca de expandir imensamente as cenas na batalha entra Cal e Ferus. Usei essa expansão para poder ampliar um pouco a lore, criar coisas nas quais eu não tinha pensado originalmente, criando brechas  pra novos arcos.

Outra coisa é a cena que eu removi: além de envolver uma pessoa com quem eu não possuo mais amizade, a cena era totalmente irrelevante. Eu pensei em criar uma cena pra substituir, mas quando chegou a hora do vamos ver, me veio a epifania de que a melhor ideia era remover completamente a cena, como se ela jamais tivesse ocorrido. Simples assim.

Não sei o quão mais trabalhoso vai ser reescrever o oitavo capítulo. Vai ter uma cena que eu vou ter que fazer do zero. Mas eu sei que reescrever o sétimo acabou me dando elementos que eu certamente vou usar em Escaleno.

No fim das contas, Ferus previu mesmo que Cal iria acabar se afundando em desgraça. Ou ao menos em torno de uma.

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