quarta-feira, 27 de maio de 2015

Equilátero: Capítulo 1: Alma Negra

Por Christiano Luiz Adega Lopes

Equilátero - Redenção de Cal Rasen

Capítulo 1: Alma Negra

Vale de El Mes, 15 de Fevereiro de 1011

Um Mercenário loiro de cabelos longos havia sido abordado por um homem estranho. Sua aparência era extremamente incomum. Cabelos brancos, linhas luminosas, da mesma cor dos cabelos, passavam por seu rosto. Ele soltava eletricidade sem parar pelo seu corpo, desafiando seu oponente. Havia acabado de derrotar outra pessoa, antes de bater de frente com o seu atual desafiante.

O Mercenário logo começou produzir o mesmo tipo de eletricidade em suas katares. Olhou desafiador para o estranho. Avançou com toda a força que tinha.

O duelo havia se iniciado. Relâmpagos se chocavam contra o chão, causando estragos aonde acertavam. O choque das armas era rápido e brutal. O homem de pele tão negra quanto um cristal de ônix apenas fitava com a fúria de seus olhos vermelhos o Mercenário que enfrentava. Ele conhecia aquele Mercenário. O conhecia como se fosse o próprio irmão dele.

Minutos antes daquele confronto, outro havia sido travado por aquele homem de pele preta. Uma garota com uma espada e um escudo tinha desafiado aquele homem. A vitória, obviamente, foi dele. E a garota havia sido aparentemente arremessada em um dos abismos do Vale de El Mes.

-Você não é o Cal, mas tem os poderes dele. Quem é você? O que você quer? - Disse o Mercenário, reconhecendo o rosto daquele ser sinistro.

-O seu poder será a chave para a minha VITÓRIA! - Imediatamente ao terminar a frase, este ser cravou sua mão no Mercenário e começou a inspirar com toda a força de que seus pulmões dispunham. Uma fumaça começou a sair da boca do Mercenário e passar para a boca do homem negro. Logo, toda a fumaça estava presa no peito daquele ser sinistro, que bateu no proprio peito até engolir a fumaça.

Quando o Mercenário tentou desferir novamente sua técnica, aproveitando a distração do ser, percebeu que agora havia uma imensa falha em sua técnica: a eletricidade não emergia mais de seu corpo. O Mercenário olhou assustado para aquele ser.

-Meus poderes... O que você fez com meus poderes? - Indagou o Mercenário, assustado.

-Seus poderes, Merjon? Eu passei todos eles para o MEU corpo. - E uma risada frenética é solta, ecoando de forma sinistra pelo ar.

A risada sinistra daquele ser começou a ficar cada vez mais alta. Ele sentia uma imensa energia permeando seu corpo agora. Começou a faiscar, e então, passou a soltar uma quantidade imensa de carga elétrica, testando seu novo poder.

-SEU MANÍACO!!! EU VOU ACABAR COM VOCÊ! - O Mercenário então avançou contra seu inimigo, este ditando apenas uma frase:

-Seu irmão não vai poder te salvar! - O corpo daquele ser começou a se retrair. E em seguida, começou a liberar uma inconcebível carga de energia elétrica. - CONHEÇA SEU FIM!!!

A garota que havia sido derrotada pelo sinistro ser havia conseguido escalar o penhasco. Muito ferida, com as roupas rasgadas, ao alcançar o topo do penhasco pôde ver apenas uma gigantesca explosão de energia elétrica surgindo e engolindo o céu e a sua vista. Um imenso clarão se abateu sobre a região. Quando sua visão voltou ao normal, apenas o homem sinistro foi visto, com um sorriso maníaco em seu rosto, olhando para suas mãos.

-FUNCIONA!!! TODO ESSE PODER, DRENADO DE APENAS UM MEMBRO DA FAMÍLIA RASEN.... ISSO É........ FANTÁSTICO!

Ele começou a rir loucamente mais uma vez. Seu olhar ficou ainda mais maníaco.

-E você, Cal, será o próximo.

Saltou, chamando um estranho disco de metal a seus pés, onde aterrisou, e saiu voando pelos céus, deixando uma onda de choque passear a um raio de quinze metros da posição onde ele antes esteve. A garota, vendo a cena, nada pôde fazer além de observar.

-Preciso... avisar... ele... - Disse, antes de cair inconsciente.




Trilha da abertura - Oasis - Shock of the Lightning
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Izlude, 17 de Fevereiro de 1011.

Cal estava quieto, olhando o oceano do lado leste da cidade. Já fazia algum tempo que ele finalmente havia conseguido uns tempos tranquilos, longe dos combates e da confusão que sua jornada havia criado. Depois de um coma de oito meses, e agora membro da Chama Prateada, o Cavaleiro agora tinha treinamento suficiente para que pudesse transcender.

Sua vista foi atrapalhada por uma garota com uma roupa que lembrava o uniforme de Kiel Hyre, tendo cores bem diferentes do uniforme original.

-Vai ficar aí olhando pro nada, Cal?

-Irma. Qual é a parada? - Perguntou o Cavaleiro, desviando seus olhos do oceano e se levantando.

-Cal, chegou uma pessoa no hospital de Prontera e ela tá dizendo que você precisa falar com ela imediatamente. Foi o Palace que trouxe ela pro hospital depois de encontrar ela seriamente ferida no Vale de El Mes. Hm, e parece que a gente conhece ela. - A garota era sempre bem informada. E costumava mandar toda informação que recebia a Cal, de modo que ele ficasse sempre esperto em relação ao que acontecia no mundo ao seu redor. Ele fez um sinal afirmativo à garota. Os dois se dirigiram a Prontera em busca de informações.

Em menos de dez minutos eles já estavam na populosa cidade. Cal e Irma chegaram ao hospital, sendo recebidos por um Templário de cabelos castanhos claros. Era Lothar Shade Mustang, conhecido como Zy, que estava por perto e também queria saber sobre a confusão ocorrida em El Mes. - Zy?

-Cal, você aqui? - Reagiu o Templário. - Então, vim aqui pra checar a parada que ocorreu no Vale de El Mes. Me disseram que talvez tivesse a ver com o Ferus.

-Ferus? Então foi ele que fez isso? - Cal reagiu ante a resposta de Zy, que confirmou, com uma cara não muito animada.

Um homem de longos cabelos ruivos saiu pela porta do hospital. Era Palace Atros, uma pessoa que ajudou Cal dois anos atrás. Um dia, foram inimigos, mas Palace tinha senso de justiça suficiente para trair o grupo para o qual trabalhava e lutar do mesmo lado que Cal. Sua cara não era feliz, assim como a de Zy.

-Ela estabilizou, vai ficar bem. Mas quebrou alguns ossos no combate. Cal, se quiser ver a garota, seja rápido, pois vão sedá-la pra ela poder dormir. - Disse Palace, tranquilamente.

-Certo. - O Cavaleiro não perdeu tempo.

Cal adentrou o quarto de hospital onde a garota se localizava. Uma cama com lençóis brancos, desocupada, estava à sua esquerda. E à direita, a garota, que imediatamente reconheceu o Cavaleiro, que reagiu. O olhar dela já confirmava que ela havia realmente enfrentado o nêmesis de Cal. O Cavaleiro devolveu o olhar.

-Não devia ter se metido à besta com o Ferus. Da outra vez, precisou de sete pessoas do seu lado pra segurar ele, e eu era uma delas. Foi por muito pouco que você sobreviveu dessa vez, Cassandra. - Disse Cal.

-Cal, me desculpe. Mas desde que você enfrentou o Ferus em Maroll, ele está muito mudado. É como se ele estivesse...

O silêncio tomou conta daquele lugar por um momento. A garota não sabia o que dizer a Cal, uma vez que em um evento anterior, ele mesmo havia alertado a ela pra se manter o mais longe possível de Omni Ferus. Mas criou coragem e continuou o que estava dizendo.

-A força dele cresceu muito. Quando eu consegui chegar até ele de novo, ele estava liberando uma energia muito maior que naquela luta que você e Irma travaram com ele... Acho que havia mais uma pessoa na cena. Cal, Ferus está te procurando. E não vai parar por...

-...nada até me matar. - Cal completou a frase da garota. - Cassandra, não deveria ter se metido naquilo. Sabia que ele podia te matar. O que sua irmã diria se estivesse viva e soubesse que você morreu enfrentando aquela aberração? Sei muito bem que você seria doida o bastante pra voar pra cima dele de novo. Já te vi fazendo isso.

A garota ficou quieta, sem dizer uma palavra. Reprimia sua raiva perante o sermão do Cavaleiro. Cal então terminou seu discurso.

-Escuta, você precisa ir a Juno quando puder e informar Siegfried sobre isso. Ele deverá ficar esperto em relação ao Ferus. Já no meu caso, eu vou pessoalmente acertar as contas com o pessoal dele. Trate de descansar e se concentre em se recuperar.

Cal saiu do quarto com sua cabeça mergulhada em pensamentos. Ferus havia aparecido de novo. Era a segunda vez num intervalo de muito pouco tempo. Ao que parecia, ele finalmente queria acertar suas contas com o Cavaleiro. Para Cal, talvez fosse a chance que ele tinha pedido a Odin, de acabar com tudo aquilo de uma vez.

Cal chegou em Palace, que resolveu deixar sua mensagem ao Cavaleiro. Cal contou o que viu a Palace, que resolveu dar detalhes adicionais.

-Cal, sobre a briga que a garota presenciou, eu sei quem era a pessoa que o Ferus derrotou. - Disse ele, sem virar o rosto ao Cavaleiro conforme ele passava. Cal parou onde estava e virou a cabeça ao ruivo.

-Você sabe? - Cal sabia que uma má notícia poderia estar a caminho. Um curto silêncio se abateu, e então o ex-Legionário resolveu falar.

-...Seu irmão desafiou Ferus logo depois daquela luta. E pelos meus palpites, ele copiou mesmo os poderes de Cofee. Senti a mana de Merjon diminuindo ao passo que a de Ferus aumentava cada vez mais.

Cal já estava encaixando os fatos quando Palace chegou a esse trecho da conversa. - Está me dizendo que...?

No ano anterior, Cal, junto com Lacey, Lucas e Rei, seus amigos, tiveram um grande confronto com Omni Ferus num castelo na cidade abandonada de Osthreinsburg, beirando o rio que cortava Rune-Midgard e Schwarzvald. Ferus havia presenciado por um breve momento o milagroso poder de John Cofee, que curou Cal quando este quase morreu ao ferir gravemente seu inimigo.

-Eu já estava perto da garota quando a explosão elétrica ocorreu. Aquilo ali foi completamente sobrenatural. E, pra ser sincero, tenho minhas dúvidas se Merjon conseguiu sobreviver a aquele tipo de cataclisma. O corpo dele não foi encontrado, nenhum pedaço sequer. Não tenho como saber se seu irmão sobreviveu.

Cal abaixou a cabeça. Fechou os punhos com toda a força que tinha. Sentiu seus dentes rangerem. A ação que veio a seguir foi o berro de Cal enquanto ele socava a parede.

-MERJÖN, SEU DESGRAÇADO!

As pessoas ao redor no hospital viram o ataque de nervos. O soco havia deixado uma marca na parede, tamanha a força que ele havia aplicado no golpe. Irma e Zy viram assustados a cena, com um Cal diferente, de olhar muito mais furioso que o de costume. Para Irma, não era a primeira vez, já que houve pelo menos uma única outra ocasião onde ele ficou com esse olhar: o fim da Ordem do Trovão.

-Pelo visto, o Cal perdeu mais um membro da família... - Disse Zy.

O Cavaleiro voltou sua visão a Palace, num tom quase sanguinário, e lhe pediu um favor.

-Palace, cuide da Irma por mim. Eu vou acabar com essa história de uma vez. - Palace não parecia assustado ou sequer surpreso com a reação de Cal.

-Tome cuidado. A energia do Ferus cresceu de forma muito assustadora. Você pode acabar morto dessa vez.

-Não é comigo que você precisa se preocupar. - Cal se virou e foi na direção de Irma, que estava inquieta. - Irma, fique com o Palace e o Zy enquanto eu resolvo meu assunto com o Ferus. Eles podem te proteger. Eu espero.

-Cal, por favor... - A expressão de Irma demonstrava claramente a preocupação dela em relação ao Cavaleiro, que se virou a Zy.

-Zy, você e o Palace estão encarregados de proteger a Irma enquanto eu acabo essa bagunça. Se o Ferus aparecer, vocês são as pessoas em quem confio para protegê-la. Se algo acontecer a ela, é bom não sobreviverem. - Essa última parte o Cavaleiro disse olhando fixamente para seu amigo, numa clara ameaça.

-Cal, você é completamente louco, sabia? - Disse Zy, demonstrando sarcasmo em sua frase. - Eu estou dizendo, uma hora você vai acabar entrando num confronto grande o bastante pra te matar. Isso, ou você e o Kerd um dia vão acabar conseguindo afundar a cidade de Izlude no mar.

O Cavaleiro respirou fundo e respondeu ao amigo.

-Eu sei disso. Mas se alguém vai acabar com o Ferus e os amiguinhos dele, esse alguém precisa ser eu.

Irma apenas lançou um olhar triste sobre o Cavaleiro. Cal se virou e deixou o recinto. Agora seu objetivo estava mais que claro: eliminar Ferus e os amiguinhos que o acompanharam quando ele desertou a Legião. E Cal sabia muito bem onde encontrar o primeiro deles: em Amatsu, o lar da pessoa que um dia foi importante para ele.

OFF

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